diário Jazz ao vivo com Estrelas 2009

Agenda Jazz 2009

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Nelson Cascais Quinteto “Guruka”

29-Janeiro
Hot Club
Por detrás da figura discreta do jovem contrabaixista está um genuíno líder e um compositor moderno muito interessante como a apresentação de Guruka no Hot Club revelou. Guruka é possuído por uma dinâmica orquestral que resulta tanto da força das composições como dos arranjos volumosos, como ainda das prestações dos músicos reunidos. Pedro Moreira esteve particularmente forte nos solos em contraponto com João Paulo que no piano ou o Fender-Rhodes se revelou algo contido mas sempre oportuno, como André Fernandes, também ele sóbrio e acertivo. Nelson Cascais permitiu-se brilhar em dois solos. Grande equilíbrio e a coesão do grupo.

Dual Identity
6 –Março

Braga Jazz
O Dual Identity explora uma fórmula muito curiosa baseada numa frente de sois saxofones em competição, suportada por uma consistente secção rítmica reduzida, de contrabaixo e bateria; de certa forma uma revisão da fórmula do trio de saxofone. O destaque ia obviamente para os sopros; mais cerebral Steve Lehman, devastador Rudresh Mahanthappa. Foi a primeira vez que vi tocar o indiano-nova-iorquino, que confirmou tudo o que dele tinha sentido em disco: energia que se inspira directamente na New Thing coltraneana e que parece não ter limites, mas que provocava aqui e ali algum desequilíbrio no grupo devido ao discurso mais contido de Lehman. Ou dito de outra forma, cada frase de Lehman provoca de Mahanthappa uma reacção exaltada, por vezes desproporcionada. O quarteto, que vive bastante mais das capacidades dos improvisadores enquanto improvisadores que das composições, ressente-se por vezes. Nada que algum trabalho de orquestração não possa resolver.

Gianluigi Trovesi Sextet
7-Março

Braga Jazz
Diferente do que tinha antecipado, Gianluigi Trovesi não tocou Profumo di Violetta. O concerto andou à volta do riquíssimo universo musical italiano, mas esteve longe da euforia criativa de Prafumo… A banda constituída por músicos de sólida formação realizou um concerto agradável, com o clarinetista em destaque.

Uri Caine Trio «The Goldberg Variations»
24-Abr
CCB - Dias da Música
O regresso de Uri Caine ao CCB ficou aquém das expectativas. O grande pianista – que tem um excelente disco dedicado exactamente às Goldberg Variations - não esteve no seu melhor no primeiro concerto dos Dias da Música dedicado à música de Bach. Creio que isso se deveu em parte à transposição da obra para aquele trio, que obrigou Uri Caine a introduzir-lhe alterações por vezes abstrusas.

Mário Laginha «Canções e Fugas»
25-Abr
CCB - Dias da Música
Lisboa CCB - Pequeno Auditório 20.00 É conhecida a atracção que Bach exerce sobre Mário Laginha, que o levou a dedicar um disco ao maior representante do Barroco: «Canções e Fugas». Laginha foi buscar a Bach essa alegria e luminosidade arrebatadora que exprime de forma persuasiva nas improvisações. O repertório andou à volta de Canções e Fugas numa tarde especialmente feliz.

Uri Caine Trio «Mozart, Mahler e Verdi»
25 Abril
CCB - Dias da Música
Melhor esteve Uri Caine a interpretar «Mozart, Mahler e Verdi» que no dia anterior tinha estado a tocar Bach. Mais descansado talvez, o trio revelou-se resplandecente numa música em si mesma bastante apelativa. Uri Caine interpreta e improvisa sobre algumas das peças mais populares dos clássicos da forma inspirada que lhe ouvimos nos discos e como tocou ainda no ano passado na Casa da Música. Este é um trio novo, mas Ben Perowsky e John Hebert são dois grandes músicos capazes de tocar qualquer coisa, interpretar uma pauta com todo o rigor ora improvisar sobre ela. E o pianismo luxuriante de Uri Caine é realmente inspirador.

João Paulo «Contratema»
26-Abril
CCB - Dias da Música
De forma opósita de Laginha, João Paulo explora uma outra hipótese de interpretação de Bach, quero dizer do espírito de Bach, que procura um lado obscuro que se oporia ao que está explícito na sua obra. «Contratema» (inspirado talvez na própria noção bachiana de contraponto) revelou-se um exercício inteligentíssimo de interrogação: de contenção onde Bach é abundante, de melancolia onde Bach é feliz, denso onde Bach é fluido, dissonante onde Bach é harmónico. Genial!

Bica Bach Barretto
26-Abril
CCB - Dias da Música
Os contrabaixistas tocaram temas retirados do seu repertório próprio e se esse fosse o objectivo o concerto até teria corrido menos mal. De resto Bach andou arredado do seu pensamento e apenas por um fugaz momento ele foi evocado.

Jef Neve Trio
22-Maio
Hot Club
O jovem Jef Neve que creio toca pela terceira vez no Hot Club, é um pianista muito interessante, com uma técnica que combina a formação clássica com a fluência bop com um toque de modernidade pop que não pode deixar de evocar o malogrado Esbjorn Svenssen. O trio é muito coeso e eficiente e o resultado final é mais que agradável.

James Carter Quintet
26 Junho
James Carter possui uma técnica impressionante e é por isso que não posso deixar de estranhar que as suas actuações ao vivo me deixem – com excepção da primeira em Cascais – algum amargo de boca. Aconteceu o mesmo no Estoril último: James Carter veio tocar Present Tense de 2008, mas as coisas não correram pelo melhor. É verdade que o som esteve algo desequilibrado, com alguns instrumentos quase apagados, o que provocou a desatenção do saxofonista, mas um outro episódio com alguém que estava a filmar o concerto levou-o a quase interromper a sessão.
A banda que veio com James Carter não era a do CD e embora demonstrassem sempre um bom nível, também não teve rasgos, com excepção talvez para o pianista Gerard Gibbs e um ou outro ocasional solo de trompete do convidado Corey Wilkes. Felizmente James Carter «regressou» nos dois últimos temas para salvar a noite.

Desidério Lázaro Quarteto
27-Junho
Boa surpresa a do concerto deste jovem saxofonista que vem dando que falar. Desidério Lázaro é das coisas mais frescas que tenho ouvido nos últimos tempos, aliando uma boa técnica a uma criatividade e inteligência invulgar nos executantes do saxofone nacionais, com frequência demasiado apegados à escola. Do grupo ressalta outro nome, o baterista Luís Candeias, mais do que eficiente, também ele atento e imaginativo na construção do suporte rítmico do quarteto.

Vozes 3
27-Junho

Este concerto gerou em mim bastante curiosidade, conhecidas que são as diferenças entre as três cantoras. O concerto foi uma desilusão: ao invés de um projecto colectivo tivemos um desfilar dos projectos individuais – demasiado longos –, e apenas ocasionalmente, um breve encontro, e pouco conseguido. As cantoras surgiam ora titubeantes ora com um excesso de confiança artificial e as diferenças revelaram-se por demais acentuadas, e até mesmo a Maria João esteve desinspirada. Projecto desconchavado.


Tim Tim por Tum Tum
27-Junho
Os Tim Tim por Tim Tum nasceram na sequência da célebre homenagem a Max Roach no Jazz em Agosto de 1999. No decorrer do festival o baterista recriou com bateristas e percussionistas portugueses um dos mais curiosos dos seus projectos, o M'Boom.
Liderados por José Salgueiro, e tendo como atracção suplementar a jovem galega Lucía Martínez, o concerto teve momentos interessantes, mas ficou-se sempre com a sensação de que poderia ter ido bem mais longe. Creio que peca precisamente pela direcção de Salgueiro, com uma excessiva acentuação na percussão, com alguns efeitos bastante fáceis (facilitistas) e desvalorizando as possibilidades da bateria. Mesmo os momentos de bateria me pareceram pouco colectivos e rotineiros.
Do que lhes conhecemos, temos a certeza que José Salgueiro e aquele grupo de bateristas podem fazer bem melhor.

Zé Eduardo Unit
27-Junho
Zé Eduardo já anda a tocar estes temas há algum tempo, e isso sente-se. O problema é que a Abelha Maia ou o Vickie são temas demasiado ingénuos e deinteressantes, e por mais que os três músicos lhes procurem insuflar vida, eles acabam por se tornar aborrecidos, e nem o humor cáustico de Zé Eduardo lhes vale.

André Matos Trio + George Garzone
27-Junho
André Matos é um guitarrista muito contido, ao contrário do vulcão que é George Garzone. Os temas sempre cerebrais e técnicos de André Matos impediram Garzone de voar e apenas aqui e ali se soltou. Concerto desequilibrado.

Pedro Madaleno U.N.Derpressure
28-JUn
Em fim de tarde de um dia de imenso calor, o pequeno Estúdio Mário Viegas revela-se impossível para o público e para os músicos. Pedro Madaleno e os U.N.Depressure lutaram contra o suor, mas não era possível fazer melhor.

David Murray
“ Black Saint Quartet”
3-JUlho
David Murray vem desde há muito assumindo o papel que Archie Shepp desempenhou nos anos 80 de reformulação do som (do saxofone) mainstream, entre o que foi a vanguarda do Jazz corporizada no free e pré free (entre Trane e Dolphy) e a tradição dos grandes saxofonistas do período clássico como Ben Webster e Coleman Hawkins. Nos últimos anos vem explorando curiosamente uma faceta world que lhe valeu um quase lugar cativo no Festival de Músicas do Mundo de Sines, apenas interrompido este ano. Saxofonista poderoso e fecundo, levou ao Estoril um Jazz generoso, mas bastante menos colorido que o que apresenta em Sines. À frente de uma formação clássica Murray foi eloquente sem ser excessivo, com momentos especialmente conseguidos em Dirty Laundry, Giant Steps ou num calipso em evocação de Sonny Rollins. Impulsionada pelo telúrico Hamid Drake, mas com companheiros dignos - Lafayette Gilchrist no piano e Jaribu Shahid no contrabaixo - a banda voou sempre alto.

Mingus Dinasty Septet
4-Julho
O Mingus Dinasty Septet que se apresentou no sábado praticou sempre um Jazz sólido, mas creio que lhe faltou algum do humor corrosivo que é característico no Mingus que a banda quer interpretar. O grupo possui alguns solistas de primeiro plano como foi óbvio com Escoffery ou Orrin Evans; mas também Sipiagin raramente se soltou. Felizmente comedido esteve Frank Lacy, usualmente dado a excessos, enquanto Craig Handy esteve assertivo. A secção rítmica esteve sempre eficiente com um grande baterista, Donald Edwards, Boris Kozlov que acumulava o contrabaixo com a direcção do combo e o intrusivo já referido Orrin Evans.

Christian McBride And Inside Straight Quintet
5-Julho
O Inside Straight Quintet de Christian McBride veio ao Estoril apresentar um bop descontraído e fresco, sem equívocos, levando ao rubro um público já de si predisposto a ouvir um Jazz que respeita a tradição. Apesar da juventude, o vibrafonista Warren Wolf e o eficiente baterista Ulisses Owens Jr., demonstraram estar à altura da missão, enquanto Steve Wilson, que alternou o saxofone alto com o soprano se confirmou uma vez mais, e as linhas claras e intrometidas do piano de Peter Martin completavam o todo. Na cabine de comando esteve McBride revelado na década de 90 como um dos mais sólidos contrabaixistas da sua geração.
Juventude e alegria de tocar Jazz foi o denominador comum do melhor concerto do Estoril Jazz 2009.

Francesco Bearzatti Tinissima Quartet
16-Julho
O concerto do Francesco Bearzatti Tinissima Quartet até começou da melhor forma. O projecto era ambicioso: uma suite dedicada à vida aventureira de Tina Modotti.
A formação, um quarteto com dois sopros, bateria e baixo, foi-se no entanto evidenciando exígua para a dimensão orquestral que a suite sugeria, a que acrescia uma bateria pouco generosa em volume e em imaginação que se opunha à energia e irreverência dos sopros e desequilibrava o quarteto. Enfim, algumas ideias interessantes na suite acabaram por se repetir sugerindo a necessidade de prolongar o trabalho de composição, apenas colmatadas com o entusiasmo do grupo.

Greg Osby «9 Levels»
17-Julho
Lisbon Jazz Summer School
Por razões não musicais óbvias, o concerto do novo sexteto de Greg Osby foi marcado pela presença da jovem portuguesa Sara Serpa nos vocais, profusamente anunciada como «a nova descoberta de Greg Osby». Sara Serpa é uma mistura de scat com vocalese e as vocalizações Jazz brasileiras populares nos anos 70, e dir-se-á que controla até bastante bem o instrumento, mas creio que lhe falta ainda a alma que faz as grandes cantoras. Talvez que seja apenas a juventude. Ou então os meus ouvidos. Mas o concerto decorreu todo naquele tom morno, excessivamente contido (o combo pareceu verdadeiramente saído de uma workshop), e apenas o pianista (Adam Birnbaum) se revelou inspirado, não apenas em dois solos, mas nas intervenções intrometidas. O grande Greg Osby esteve quase sempre ausente e apenas aqui e ali deu um arzinho da sua graça.

Carlos Bica / João Paulo Duo
21-Julho
Na estreia dos concertos para piano no JIGG as coisas não correram pelo melhor: o exaustor de um restaurante directamente para o jardim do Goethe Institut tornou insuportável o concerto para além do admissível e João Paulo e Bica apenas se fizeram ouvir no último tema.

Donny McCaslin Group
25 -Jul
McCaslin não é apenas um poderoso saxofonista como a associação a Sonny Rollins poderia sugerir; ele é um saxofonista inventivo e completo, dominando por inteiro o instrumento como há muito não víamos. O saxofone de McCaslin possui toda a história do saxofone Jazz em cada sopro, poderoso e subtil, denso e mavioso, vertiginoso e dramático, dominador, definitivo.
Outro aspecto a observar do concerto de Serralves são os temas, todos eles originais de Don McCaslin, revelando a faceta de compositor emérito, mesmo se para ele lhe seria relativamente fácil ao vivo explorar um lado mais espectacular que o público sempre parece preferir. Trabalhando sobre materiais dispersos, os temas nunca se revelaram gratuitos, mesmo nos solos.
Johnathan Blake e o contrabaixista Ricky Rodriguez (que substitui Hans Glawischnig do CD Recommended Tools) estiveram sempre muito lá em cima, perfeitamente à altura do saxofone; mais do que irrepreensíveis, a todo o tempo versáteis, intervenientes e criativos, no acompanhamento como nos solos.
O concerto do ano!

George Lewis Sequel
1-Ago
Houve um tempo, há muitos anos em New Orleans, em que a música se tornou realmente democrática: toda ou quase toda a gente sabia tocar e tocava na rua. O Jazz nasceu daí, também como expressão democrática. O que George Lewis levou à Gulbenkian foi a antecipação futurista de uma outra possibilidade de democracia: a de quando todos tocarem sem ninguém saber como. Como era previsível pelo excesso de computadores, o concerto de George Lewis revelou-se completamente aborrecido. A rapariga do gira-discos que andou sempre perdida era especialmente irritante e nem os raros assomos do trombone de Lewis se revelaram minimamente interessantes.

Rough Americana
2-Ago
Um tipo deitado no chão a tocar guitarra preparada e uma jovem radical a manipular gira-discos não faz o meu género musical.

Lawrence Butch Morris Nublu Orchestra
2-Ago
O primeiro momento interessante do Jazz em Agosto foi protagonizado pela Nublu Orchestra de Lawrence Butch Morris. O colectivo é impulsionado a partir de um código de uma trintena de signos numa recriação original dos head arrangement de Duke Ellington. As peças baseiam-se em formas pré-concebidas que vão sendo moldadas a belprazer do maestro, deixando muito pouco espaço à criatividade individual. Curioso.

Dave Douglas & Brass Ecstasy
6-Ago
Sobre o pano de fundo criado pela bateria rude de Nasheet Waits e a poderosa tuba de Marcos Rojas, a Brass Ecstasy de Dave Douglas é uma verdadeira orquestra de movimento e cor. Luis Bonilla será talvez o mais impulsivo e Douglas esteve magnífico e insuperável como sempre; mas impressionou-me verdadeiramente a figura seráfica de Vincent Chancey construindo um discurso impossível para a trompa no solo para Rava, e um pouco por todo o concerto. Mais empáticos, os temas Bowie e Rava ofereceram ao quinteto o aplauso unânime do público.
Sem dificuldade, o colectivo de virtuosos reunido na Brass Ecstasy realizou o melhor concerto do Jazz em Agosto do milénio, confirmando Dave Douglas como um dos mais prolíficos e geniais músicos da actualidade.


Peter Evans
7-Ago
Peter Evans é um extraordinário trompetista, mas um concerto solo é um risco excessivo para o jovem académico. O concerto foi um exercício de puro exibicionismo, com o discurso completamente submetido à técnica e não a técnica a servir as composições ou o discurso. Como número de circo esteve realmente impressionante, mas como exercício musical foi curto.

Buffalo Collision
7-Ago
O quarteto protagonizou alguns momentos altos, mas globalmente o concerto acusou o desequilíbrio do encontro (colisão?) entre dois conceitos radicalmente diferentes de Jazz que são afinal os dos The Bad Pus (mais pop, ritmado, comunicativo) e Tim Berne (mais radical e abstracto). Creio que o projecto tem pernas para andar, mas necessita de algum trabalho.

Peter Evans Quartet
8-Ago
O concerto do quarteto de Peter Evans foi realmente surpreendente para quem tinha visto o trompetista na tarde do dia anterior: quatro jovens músicos realizando uma música inteiramente escrita, interpretando temas de grande complexidade e erudição e de elevada exigência técnica! O excessivo academismo acabou por os trair no final da noite - revelando como de facto não eram músicos de Jazz - quando informaram que não poderiam tocar nenhum encore porque não tinham mais nenhuma peça ensaiada! Nenhum blues, nenhum standard, nada mesmo. Ainda assim, Peter Evans é um músico a seguir.

Propagations
9-Ago
Por diversas vezes acreditei que os Propagations iam começar a tocar, o que não veio a acontecer. Este tipo de exercício, supostamente inspirado nos quartetos de saxofone do Jazz, não o é realmente e tem muito pouco de original: foi feito e está feito e esgotou-se há muito tempo lá atrás.

Bill Dixon with Exploding Star Orchestra
9-Ago

A Exploding Star Orchestra possui um som bastante original e um excelente equilíbrio para uma orquestra com uma paleta tímbrica tão variada. A base rítmica da orquestra é luxuriante, onde nenhum dos instrumentos é despiciendo e os arranjos para toda a parafernália bastante atentos e oportunos. Nos sopros relevo para a excelente Nicole Mitchell na flauta, mas também o acutilante Jebb Bishop e o líder Rob Mazurek no trompete. A longa peça que a Exploding Star tocou nunca se tornou monótona, revelando um excelente trabalho de composição e orquestração de Mazurek para um instrumento tão complexo.
A pecha do concerto acaba por ser a estrela convidada, o veterano Bill Dixon, que à evidência não está capaz de tocar. Bill Dixon, a quem é oferecido um excessivo protagonismo, tem o trompete ligado a uma câmara de eco, limitando-se a tirar dele um ocasional som, sempre igual, que o eco repete. Gostaria de ouvir a orquestra sem Bill Dixon.

Orquestra Angra Jazz + Hugo Alves
2-Out

Mesmo apesar dos óbvios problemas de insularidade, é sempre um prazer regressar à menina dos olhos do festival, a Orquestra Angra Jazz. O solista convidado deste ano, Hugo Alves, integrou-se à perfeição no tutti instrumental, e alguns dos arranjos preparados, muito em especial logo o primeiro, o clássico Freddie Freeloader, foi executado de forma particularmente conseguida.


Jane Monheit Qrt
2-Out

O momento menos interessante do Angra Jazz foi protagonizado pela voz de Jane Monheit. Não que ela cante mal; bem pelo contrário. Mas o repertório trânsfuga, o aligeiramento das formas e alguns tiques raiando o piroso realmente incomodaram com frequência estes olhos e ouvidos. Acredito que numa audiência mais intimista a cantora opte por uma temática mais jazzy, mas resta saber se não esqueceu.


Mário Laginha Qrt
3-Out

Laginha tem desde há muito a minha admiração e o trio que dirige é uma máquina imparável, mas a formação que Laginha levou a Angra estava acrescida da guitarra de Sérgio Pelágio. Não haverá nenhum reparo à guitarra; apenas que ela me pareceu com frequência redundante: os arranjos estão feitos para o trio de piano-baixo-bateria e a guitarra pareceu com frequência sobrar. Laginha cresceu muito desde há dez anos e a sua música não parece admitir um outro instrumento harmónico, a não ser que ele se reinvente. A forma muito Jim Hall de Pelágio não me parece a adequada.


Henri Texier Strada Quintet
3-Out

Sob a batuta do veterano contrabaixo, o Henri Texier Strada (desfalcado do trombonista) confirmou-se como um dos mais poderosos e estáveis grupos da Europa. As raízes do Jazz de Texier reportam ao free jazz e ao hardbop dos anos 60 e 70, mas também à tradição clássica europeia, aos folclores do mundo e à pop anglo-saxónica. O reportório do concerto incluiu alguns temas antigos de (V)ivre, alguns do novo CD Alerte à l'eau e alguns originais. Talvez menos provocador e politizado que em digressão anterior a que assisti, ainda assim a música do Strada é volumosa e intensa, e assim foi também em Angra.


Chano Dominguez Trio
4-Out

Chano Dominguez esteve excelente. A singularidade de Chano advém da integração feliz do flamenco no Jazz. A bateria sem bombo nem tímbalos substituídos pelo cajón explicitava a fonte, mas o discurso fluente e sincopado do pianista andaluz é verdadeiramente jazzístico. Chano realmente não inventou nada; é conhecida a atracção de Miles, por exemplo, pelo flamenco. Chano Dominguez apenas vem explorando com felicidade e engenho a fórmula.


Charles Lloyd Qrt (c/ Jason Moran)
4-Out

O som de Charles Lloyd é verdadeiramente caloroso e expressivo. Não sendo propriamente um original, ele soube matizar um saxofonismo que era o mainstream dos anos 70 com motivos folclóricos que sugerem um desejo de oriente e que se revela com mais clareza na utilização da flauta e do tarogato. Nos últimos anos, como foi evidente em Angra, a música de Charles Lloyd revela enfim a sua verdadeira influência, e que não é outra que o saxofone derradeiro espiritual e místico de John Coltrane. Por detrás do som enorme está uma figura frágil e sensível, que parece revelar-se cada vez mais. Essa sensibilidade fá-lo chorar em palco pela partida do amigo Billy Higgins, mas revela-se também na forma como reage aos aplausos do público e que o fez tocar duas horas seguidas em Angra. A música de Charles Lloyd toca-nos como poucos são capazes. Ao lado dele estiveram três grandes músicos: um Jason Moran que é tudo menos um mero sideman e que revela toda a sua grandeza de igual forma na subtileza das intrusões ou nos solos; um jovem Reuben Rogers que parece crescer todos os dias, absolutamente irrepreensível; e Nasheet Waits que é só um dos grandes bateristas da actualidade.


The Bad Plus
8-Out
Museu do Oriente/ Incubadora D'Artes

Em dia de futebol o concerto dos The Bad Plus não encheu a sala de espectáculos do Museu do Oriente. Ainda assim a sala estava composta, razoavelmente preenchida por uma assistência jovem e particularmente entusiasmada como é já raro acontecer.
Os The Bad Plus são um verdadeiro grupo de culto e um caso de sucesso que encontra explicação na atitude irreverente que começa no próprio nome, muito pop music, mas que se prolonga por um reportório atípico que inclui originais abordagens de temas da pop anglo-saxónica.
Sem a voz de Wendy Lewis que marcou o CD do ano passado For All I Care, o alinhamento atravessou vários discos anteriores e alguns originais. "Variation d'Apollon" (sobre o balet Apollo de Stravinsky) foi mesmo, ao que creio, o único tema de For All I Care tocado, mas também o célebre Song X de Ornette, um tema dedicado a Thelonious Monk, alguns originais recentes e vários outros que a minha fraca cultura pop não permitiu identificar, mas que incendiava a plateia. Talvez motivado pela assistência, o concerto decorreu num crescendo e os The Bad Plus ainda regressaram ao palco para três encores.


Joe Lovano USFive
21-Out
Joe Lovano fez sem surpresas um grande concerto, como o CD Folk Art deixava antecipar. O UsFive é uma máquina perfeita onde tudo corre sem qualquer grão de areia. A complexidade dos arranjos esteve sempre evidente, mas pareceu-nos que o trabalho das duas baterias esteve ainda assim aquém das possibilidades, como não é visível no disco. Mas elas nunca se juntaram nem procuraram ganhar visibilidade no espectacular possível: elas são sempre parte da elaborada trama rítmica de que faz parte também o contrabaixo e em menor medida o piano. A franzina Esperanza Spaulding esteve particularmente brilhante, e ela e Lovano acabaram por ser as figuras em destaque do concerto. Lovano estabeleceu-se ao longo das últimas duas décadas como um dos nomes maiores do saxofone contemporâneo e ele é tecnicamente insuperável. Ele parece procurar cada vez mais um som onde não é possível divisar Coltrane, e se há algo a observar na genialidade do seu fraseado é precisamente a ausência do calor que Trane transmite. Mas o último tema, saído de «Viva Caruso» levou a plateia ao rubro.

Kenny Werner Quartet
22-Out
O quarteto que Werner levou ao Seixal era, apesar dos méritos individuais, um grupo «fabricado»: Cindy Blackman, que esteve ainda assim bastante melhor que o ano passado aqui mesmo no Seixal, foi com frequência um objecto estranho, mas o desequilíbrio era motivado também pelo saxofonista, que oscilava entre um som à Jan Garbarek e Stan Getz. Dir-se-iam três grupos: o mais interessante, o sólido trio de Kenny Werner, eventualmente acrescido do saxofone; um segundo, garbarekiano, com o saxofonista como líder, e o terceiro onde o protagonismo era oferecido à vulcânica e bela Cindy Blackman. Apesar dos evidentes méritos individuais, o Kenny Werner 4tet esteve aquém das expectativas.

Mingus Big Band
23-Out
A música de Mingus continua e continuará a inspirar as sucessivas gerações de músicos de Jazz; e esta renovada Mingus Big Band é um bom exemplo. É certo que algum do fôlego criativo que no passado ela trouxe a Portugal esteve arredado e o reportório se baseou praticamente em alguns dos mais conhecidos temas do contrabaixista. Faltou, creio, uma direcção que trabalhasse como no passado as áreas menos reveladas da profícua personalidade de Charlie Mingus; mas o grupo de músicos revelou conhecer bem o reportório e soube transmitir generosamente a herança que carregam. O concerto privilegiou os clássicos como o inevitável Fables of Faubus ou Goodbye Pork Pie Hat ou ainda um blues cantado pelo histriónico Frank Lacy.
Excelente concerto apesar das observações, com uma formação renovada onde se revelavam muitos jovens, não perdeu em força e alegria. Em destaque estiveram toda a poderosa secção de palhetas, rivalizando com o contrabaixo de Kozlov e o piano de Kenny Drew Jr., ou ainda o já referido Ku-umba Frank Lacy.

George Colligan Trio
24-Out

À frente de um trio de ocasião, George Colligan, que substituía o BassDrumBone impedido de vir a Portugal devido à doença de Ray Anderson, praticou um Jazz fluente e agradável, mas sem história. Os músicos revelaram conhecer bem a linguagem Jazz, mas o encontro fortuito não lhes permitiu mais que tocar um neo-bop incaracterístico mas generoso que o público aplaudiu.


Liebman / Eskelin Quartet - “Different But The Same”
25-Out
O festival encerrou com o aguardado encontro de Dave Liebman com Ellery Eskelin; dois saxofonistas bem diferentes, e apesar de Eskelin ter estudado com Liebman.
Este projecto revela um Liebman muito menos emotivo e mais controlado que é seu normal, numa forma que é mais típica da música de Eskelin; em composições que ora partem de uma leitura rigorosa da pauta ora se permitem improvisações sobre abstractas harmonias. Especialmente contido estiveram também o vulcânico Jim Black e o contrabaixista Tony Marino, correspondendo à elevada exigência das longas composições.
«Jazz de câmara», pouco apelativo, com fortes influências exteriores ao Jazz na música erudita contemporânea; revelado até no repertório - por exemplo Dance de la Fureur de Olivier Messiaen ou um arranjo particularmente elaborado do clássico All The Things You Are - o quarteto levou a Leiria um excelente exemplo do que é a procura de novos caminhos para o Jazz e para a música.

Rosario Giuliani Quartet

30-Out


Oeiras Jazz
Rosario Giuliani fez um concerto bastante assertivo, dentro do que se convencionou chamar de neo-bop. Giuliani parece-me revelar influências por vezes carregadas de Jackie McLean, se bem que numa forma impetuosa que não deixa de me evocar o saxofone atípico de um Abraham Burton. Mas todos os músicos se mostraram à altura, com Cabaud (para quem estavam viradas as atenções) mais que eficiente, e apesar de apenas ter tomado contacto com o repertório da banda nessa mesma tarde. Assim se revela o nível dos grandes músicos que dominam a linguagem universal do Jazz. Música enérgica e comunicativa, de um grupo onde sobreluz a alegria de tocar.

Gianluca Petrella Quintet
31-Out

Oeiras Jazz
Sem a presença do líder Enrico Rava, o grupo da segunda noite tocou ainda assim o repertório planeado, não sem que algumas debilidades assomassem o estatuto de alunos que Gianluca Petrella nem sempre soube resolver. Petrella aliás, que tentou colmatar as insuficiências do grupo com uma maior intervenção. As entradas do trombone, que evocam com frequência os estampidos do trombone de Gary Valente, nem sempre souberam apropriados numa música menos angulosa que o seu excelente Índigo 4.

Miguel Zénon Quartet

5-Nov

Oeiras Jazz
Bem melhor esteve Miguel Zenon que trouxe a Oeiras o novo baterista do quarteto, o jovem Henry Cole, e nova música retirada do CD Esta Plena. Pessoalmente, com uma elevada expectativa que decorria do concerto do Estoril de 2008, o bop de referência porto-riquenha – influência que não foi clara para mim nessa altura – nem sempre fez o meu gosto. Mas Zenon é realmente um grande saxofonista e o grupo fez uma noite que soube a pouco. No testemunho das raízes porto-riquenhas, a música de Zenon revelou-se bastante melodiosa e epidérmica. A longa suite Alma Adentro proporcionou aos quatro músicos oportunidade para solarem, mas gostaria talvez de uma maior intervenção de Luís Perdomo. Menos dúctil e mais cantante que o conhecíamos esteve o saxofone de Miguel Zenon, mas mais que as prestações individuais, o grupo revelou-se sempre uma máquina eficiente e generosa.

Mário Laginha/ Bernardo Sassetti Duo
6-Nov

Oeirtas Jazz
A última noite do Ciclo de Jazz de Oeiras encheu a sala para ver Mário Laginha e Bernardo Sassetti. Os dois pianistas são um caso de sucesso que ultrapassa em muito o estrito universo do Jazz. Eles têm tocado juntos desde há vários anos um repertório que se inspira muito num cancioneiro popular «erudito», com relevo para José Afonso.
Os meus reparos ao concerto, que decorreu numa bonomia e boa disposição contagiante, foram a excessiva dependência do público que resulta em alguns arranjos mais simplistas, com os solos mais jazzy pouco naturais na sequência da exposição dos temas. O melhor tema da noite, Traz Outro Amigo Também, apesar de um início algo pretensioso, acaba por se revelar envolvente. Enfim, muitos reparos para um concerto de dois músicos de excepção. As composições de Laginha e Sassetti foram também muito interessantes e um único Jazz standard, o Take de A Train, teve uma interpretação escorreita.

Jimmy Cobb So What Band
12-Nov
CCB/ Incubadora D'Artes
A recriação do Kind Of Blue era à partida uma tarefa difícil: 50 anos passados, ele permanece para uma boa parte da comunidade dos amantes de Jazz como o mais importante disco alguma vez registado. E a comparação esteve sempre presente ao longo de todo o concerto, menorizando o que noutro contexto até passaria por um excelente concerto. O problema neste tipo de evocações começa por ser a decisão sobre a cópia rigorosa do original, a recriação ou um simples exercício sobre ele; e creio que foi aqui que começaram os problemas da Jimmy Cobb’s So What Band: na incapacidade de decisão. Neste conflito Wallace Roney nem sempre se saiu bem, e do mesmo problema padeceu Javon Jackson; sempre hesitando entre ser eles mesmos ou Miles e Coltrane; enquanto Vincent Herring esteve pelo contrário especialmente assertivo. Por outras razões, a secção rítmica também revelou algum desequilíbrio entre um eixo Cobb – Williams irrepreensível, e um pianista bop pesado, incapaz de compreender o legado de Bill Evans em Kind of Blue.
Posto isto, e apesar das inúmeras objecções, a verdade é que, como atrás disse, se não tivesse presente o objecto mítico que é Kind Of Blue, este até seria um excelente concerto.

Hank Jones Trio
15-Nov
Culturgest
É sempre um prazer rever estes velhos músicos que apesar da idade conseguem ainda transmitir a imensa sabedoria adquirida na experiência da própria vida. É um enorme risco, ainda assim, pelas condições físicas, nem sempre as melhores, que muitos músicos de Jazz compensam com emoção. Foi isso que sucedeu com Hank Jones que veio a Lisboa depois de ter tocado dois dias antes em Guimarães.
O repertório foi integralmente constituído por canções de 6-7 minutos, num formato absolutamente clássico, que abriu com Nica’s Dream de Horace Parlan e terminou com Six And Four de Oliver Nelson, prolongado por dois encores, St. Thomas de Sonny Rollins e Stella By Starlight de Washington e Young (creio que muitos músicos a atribuam a Miles Davis, que a tocou vezes sem conta). Hank Jones nunca foi um pianista rápido, mas com o tempo ele tornou-se verdadeiramente paciente. Luminoso na construção preguiçosa das melodias, exíguo sobre os tempos, o velho músico doseou com emoção e ciência o que não podia oferecer com energia.
Pouco subtil e repetitivo, o baterista esteve quase sempre deslocado, transferindo para o sempre atento George Mraz o papel de âncora que o pianista necessitava.

George Colligan Quintet
18-Nov

O concerto de George Colligan em Guimarães foi uma verdadeira surpresa para quem o tinha visto menos de um mês antes em Leiria. À frente de um quinteto consistente, Colligan revelou-se um pianista sólido e arrojado - descolando em definitivo da marca bebop que lhe tínhamos visto - mas principalmente um excelente director de actores.
Os olhos estavam postos na estrela Michael Blake, mas a verdade é que tanto o seu par no saxofone - o telúrico Jaleel Shaw - como toda a banda, se revelaram sempre acima da média em termos de prestação individual ou coesão no grupo e a única reticência ao concerto acabou por ser um registo excessivamente acelerado ao longo das duas horas de música, e nem a balada Body and Soul soube arrefecer o ambiente. Originais de Colligan e alguns clássicos fizeram o reportório, com um expressivo e saboroso Bebop no remate final.


Dave Holland «The Overtone Quartet»
19-Nov
O concerto começou com um quase dançável Step To It, revelando um Chris Potter hesitante talvez pela ausência do trombone de Eubanks. Mas depois dos dois primeiros temas surgia um Patterns de Eric Harland; um exercício de acentuados contrastes cromáticos revelando um insuspeitado compositor e ao mesmo tempo oferecendo ao grupo o espaço de expressão individual simultaneamente colectivo que pertence à definição mesma do Jazz. O quarteto de gigantes revelava-se enfim, e o nível não mais baixou. Potter mudava para o soprano enquanto Jason Moran introduzia o piano eléctrico, introduzindo um colorido inesperado. Seguiu-se um blues sincopado, Blue Blocks, de Moran, com o piano a enunciar o tema que o quarteto explorava de forma feliz, e de novo em evidência a bateria esfusiante de Harland. Maiden parte de um solo de contrabaixo com Moran a regressar ao piano eléctrico com uma alusão vaga ao Miles eléctrico e Harland a revelar a faceta mais percussiva que lhe conhecemos com Charles Lloyd.
O último tema do concerto retomaria auspiciosamente um dos discos lendários de Dave Holland, o Conference Of The Birds, pouco tocado. Interseption haveria de expor o Chris Potter mais anguloso em soprano e tenor na evocação dos dois saxofonistas originais – soberbo! –, dando lugar ainda a um inteligentíssimo e aplaudidíssimo solo de bateria. O enxcore, Sky, de Chris Potter, em tempo lento, ofereceu uma vez mais oportunidade para o contrabaixista se revelar a solo ou em duo com o sax soprano de Potter, ou expressivamente no quarteto.

Cassandra Wilson
20-Nov
Cassandra Wilson apresentou-se como uma verdadeira estrela pop que realmente é. Nem sempre bem amplificada, a voz de Cassandra perdeu-se sem culpa por diversas vezes na luxuriante envolvente do grupo onde as origens negras da sua música estavam bem acentuadas; a começar com na direcção musical do guitarrista Marvin Sewel que protagonizou um dos momentos mais emocionantes do concerto num blues do Mississipi. A sua técnica impressionante esteve patente ao longo de todo o concerto, e ele será provavelmente o responsável pela linha marcadamente New Orleans e negra do grupo.
O concerto começou com um extravagante arranjo do clássico Caravan, seguido de uma versão de A Sleeping Bee e Lover Come Back To Me onde a voz de Cassandra ganhou finalmente a expressão merecida. O público rejubilou com St. James Infirmary popularizado por Louis Armstrong e o já referido impressionante Pony Blues, e Cassandra podia ter ido mais longe no Blackbird que serviu de encore.

Big Band da ESMAE
dirigida por George Colligan
21-Nov
A tarde do último dia do festival trouxe uma novidade ao Guimarães Jazz com o público que quase encheu a sala para assistir ao concerto da Big Band da ESMAE dirigida por George Colligan. A orquestra revelou-se fluida e com algumas intervenções solo muito interessantes, e o maestro estava visivelmente satisfeito com os resultados no final do concerto.

Dave Douglas, Jim McNelly &
The Blood Sweat Drum n Bass Big Band
 21-Nov
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A noite de sábado do Guimarães Jazz assistiu a dois concertos diferentes protagonizados pelos mesmos músicos: Dave Douglas e Jim McNeeely e a Blood Sweat Drum’n Bass Big Band. Na primeira parte do concerto foi tocada música do trompetista com McNeely na direcção da orquestra e na segunda parte o Drum’n Bass original prevaleceu na orquestra, com intervenções de Dave Douglas.
Dave Douglas é reconhecidamente o mais genial trompetista da actualidade, versátil e completo. O que é menos observado é o seu valor enquanto compositor. Creio que os últimos trabalhos, Spirit Moves e este A Single Sky que tocou em Guimarães se propõem precisamente corrigir essa falta. Os arranjos de McNeely revelaram-se soberbos na forma como soube tirar proveito das especificidades de uma orquestra que tem o drum’n bass no nome; como soube contornar as debilidades da ruidosa secção rítmica, e trazendo com sucesso para a linha da frente a jovem secção de palhetas.
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A segunda parte do concerto a Big Band assumiu os destinos da noite. A orquestra possui um repertório que oscila entre a pop, o funky e o Jazz, que se revela na incorporação de três teclistas, dois baixos, duas baterias e um percussionista, duas cantoras e guitarra, para além dos sopros, mas não se percebe muito bem o que lá está a fazer tanta gente. Alguns dos temas tocados roçam a pop mais xaroposa, mas felizmente nem tudo é realmente medíocre.
A orquestra possui uma energia que falta a muitas orquestras Jazz mais preocupadas em tocar de acordo com a tradição que encontrar o seu próprio caminho, e algures no atípico repertório próprio alguns temas mereceram a atenção. Visivelmente Dave Douglas entusiasmou-se com essa energia e irreverência, estimulando a resposta da orquestra. McNeely ainda regressaria ao palco para se sentar ao piano e o concerto acabou com um bucólico tema de Dave Douglas com arranjos de Jim McNeeely – Tree And Schrubb.