2009
A
decorrer ao longo de quatro semanas, o Seixal Jazz regressou como o mais importante
festival da Grande Lisboa. São vinte e quatro concertos, com sete
grupos internacionais, a grande maioria dos quais gratuitos, a animação
nocturna do Seixal Jazz Clube, exposições, venda de discos
e objectos e ainda concertos didácticos nas escolas; o que dirá um
pouco da ambição do festival.
Alguns dos concertos do Seixal Jazz foram partilhados com outros festivais
e outras salas, o que é uma excelente forma de partilhar recursos; a
seguir, sem complexos de «exclusivite».
Assisti a dois concertos do Seixal Jazz, o Joe
Lovano US Five e
o Kenny
Werner Quartet.
Joe Lovano fez sem surpresas
um grande concerto, como o CD Folk Art deixava antecipar. O UsFive é uma
máquina bem oleada, onde tudo corre sem
qualquer grão de areia.
A
complexidade dos arranjos esteve sempre evidente, mas pareceu-nos que o trabalho
das duas baterias esteve ainda assim aquém
das possibilidades, como não é visível (audível)
no disco. Mas elas nunca se juntaram nem procuraram nem procuraram ganhar visibilidade
no espectacular possível: elas são sempre parte da elaborada
trama rítmica de que faz parte também o contrabaixo e em menor
medida o piano. (melhor que no disco) A franzina Esperanza Spaulding esteve
particularmente brilhante, demonstrando que a fama que vem granjeando é realmente
merecida. As linhas do baixo são sempre claras mas luxuriantes e esteve
bastante bem nos dois ou três solos que lhe foram reservados. Ela e Lovano
acabaram por ser as figuras em destaque do concerto. Lovano estabeleceu-se
ao longo das últimas duas décadas como um dos nomes maiores do
saxofone contemporâneo e ele é tecnicamente insuperável.
O concerto revelou uma influência paralela (ao saxofone mainstream) a
Coltrane, a de Roland Kirk, que sempre tocava nalgumas peças – num
exercício tomado como algo
gratuito de exibicionismo -, dois saxofones em simultâneo (em Cascais
chegou a tocar três instrumentos!). O instrumento que Lovano
levou ao Seixal (que já toca em Folk Art), um saxofone soprano duplo,
parece-me uma explícita
homenagem ao saxofonista cego. Lovano parece procurar cada vez mais um som
onde não é possível divisar Coltrane, e se há algo
a observar na genialidade do seu fraseado é precisamente a ausência
do calor que Trane transmite. Mas o último tema, saído de «Viva
Caruso» levou a plateia ao rubro. ![]()
Menos bem esteve Kenny Werner,
muito especial devido ao grupo, desequilibrado. O quarteto que Werner levou
ao Seixal era, apesar dos méritos individuais,
um grupo «fabricado»: Cindy Blackman, que esteve ainda assim
bastante melhor que o ano passado aqui mesmo no Seixal, foi com frequência
um objecto estranho, mas o desequilíbrio era motivado também
pelo saxofonista, que oscilava entre um som à Jan Garbarek por vezes
quase ambient, e Stan Getz. Dir-se-iam três grupos: o mais interessante,
o sólido trio de Kenny Werner, eventualmente acrescido do saxofone;
um segundo, garbarekiano, com o saxofonista como líder, e o terceiro
onde o protagonismo era oferecido à vulcânica e bela Cindy Blackman.
A artificialidade do grupo era notória, até pela necessidade
das pautas… Alguns momentos com o pianista à frente dos destinos da
banda não deixaram de fazer deste Kenny Werner 4tet alguma desilusão.![]()
30 Outubro 2009
| Sex 16-Out | Seixal
|
Cinema S. Vicente
|
21.30
|
Adriana Miki
|
Adriana Miki (voz), Paulo Barros (p), Desidério Lázaro (s), Sérgio Crestana (b), Joel Silva (bat) | |
| Sáb 17-Out | Seixal
|
Galeria de Exposições
Augusto Cabrita
|
18.00
|
Carlos Barretto «Solo
Pictórico»
|
CB (ctb) | |
| Qua 21-Out | Seixal
|
Auditório
Municipal
|
21.30
23.30 |
Seixal Jazz |
Joe Lovano US
Five
|
JL (st, ss), Esperanza Spalding (ctb), James Weidman (p), Otis Brown III (bat), Francisco Mela (bat, per) |
Seixal
Jazz Clube - Mundet
|
23.00
|
Zé Eduardo
Unit
|
Zé Eduardo (ctb), Jesus Santandreu (st), Bruno Pedroso (bat) | |||
Qui
22-Out
|
Auditório
Municipal
|
21.30
23.30 |
Kenny Werner
Quartet
|
KW (p), Benjamin Koppel (s) Johannes Weidenmuller (ctb), Cindy Blackman (bat) | ||
Seixal
Jazz Clube - Mundet
|
23.00
|
Zé Eduardo
Unit
|
Zé Eduardo (ctb), Jesus Santandreu (st), Bruno Pedroso (bat) | |||
Sex
23-Out
|
Auditório
Municipal
|
21.30
23.30 |
George
Coligan Trio
|
George Colligan (p), Johannes Weidenmuller (ctb), Rudy Royston (bat) | ||
Seixal
Jazz Clube - Mundet
|
23.00
|
Blake Tartare
|
Michael Blake (st,ss, clb, kalimba), Soren Kjaergaard (p), Jonas Westergaard (ctb), Frands Rifbjerg (bat) | |||
Sáb
24-Out
|
Auditório
Municipal
|
21.30
23.30 |
Mingus Big Band
|
Tatum Greenblatt(t), Greg Gisbert (t), Avishai Cohen (t), Jason Marshall (sa), Craig Handy (sa), Seamus Blake (st, ss), Wayne Escoffery (st,ss), Scott Robinson (sb), Ku-umba Frank Lacy (trb), Conrad Herwig (trb), Earl McIntyre (trbb), Kenny Drew Jr. (p), Boris Kozlov (ctb), Donald Edwards (bat) | ||
Seixal
Jazz Clube - Mundet
|
23.00
|
Blake Tartare
|
Michael Blake (st,ss, clb, kalimba), Soren Kjaergaard (p), Jonas Westergaard (ctb), Frands Rifbjerg (bat) | |||
| Qui 29-Out | Seixal
|
Seixal
Jazz Clube - Mundet
|
23.00
|
Seixal Jazz |
Paula Sousa
Quarteto
|
Paula Sousa (p), Afonso Pais (g), Nelson Cascais (ctb), Luís Candeias (bat) |
| Sex 30-Out | Seixal
Jazz Clube - Mundet
|
23.00
|
Motif
|
Afle Nymo (s, cl), Mathias Eick (t), Havard Wiik (p), Ole Morten Vagan (ctb), Hakon Mjaset Johansen (bat) | ||
| Sáb 31-Out | Galeria
de Exposições Augusto Cabrita
|
18.00
|
Carlos Barretto
|
CB (ctb), António Eustáquio (guitolão) | ||
Seixal
Jazz Clube - Mundet
|
23.00
|
Motif
|
Afle Nymo (s, cl), Mathias Eick (t), Havard Wiik (p), Ole Morten Vagan (ctb), Hakon Mjaset Johansen (bat) | |||
Data
|
Cidade
|
Local
|
Hora
|
Organização
|
Banda
|
Músicos
|
| Qui 5-Nov | Seixal
|
Seixal
Jazz Clube - Mundet
|
23.00
|
Seixal Jazz |
Júlio
Resende Quarteto
|
Júlio Resende (piano), Desidério Lázaro (saxofone tenor e soprano), João Custódio (contrabaixo), Joel Silva (bateria) |
| Sex 6-Nov | Seixal
Jazz Clube - Mundet
|
23.00
|
Sten Sandell
Trio
|
Sten Sandell (piano), Johan Berthling (contrabaixo) e Paal Nilssen-Love (bateria) | ||
Sáb
7-Nov
|
Galeria
de Exposições Augusto Cabrita
|
18.00
|
Carlos Barretto
Trio
|
CB (ctb), Mário Delgado (g), José Salgueiro (bat) | ||
Seixal
Jazz Clube - Mundet
|
23.00
|
Luís
Lopes Humanization Quartet
|
Luís Lopes (g), Rodrigo Amado (st), Aaron González (ctb), Stefan González (bat) |
No segundo ano depois do regresso, o Seixal
Jazz parece querer discutir um lugar cimeiro entre os festivais de Jazz nacionais.
Depois de uma
primeira semana com dois concertos nacionais - a brasileira-nipo-portuguesa Adriana
Miki e do Solo Pictórico de Carlos Barretto, concerto e exposição de
pintura - chega o muito aguardado Joe Lovano US Five, já na quarta. Lovano
fez um dos grandes discos do ano, numa formação original com dois bateristas,
piano
e a jovem Esperanza Spalding no contrabaixo (ver Joe Lovano na
crítica de discos), e é isso que vamos ver e ouvir
no Seixal.
Na quinta é a vez do excelente Kenny
Werner,
um grande pianista que merece toda a atenção. Werner vem ao Seixal Jazz em
quarteto (trocando a voz pelo saxofone de Benjamin
Koppel), com Cindy Blackman (que regressa ao Seixal) na bateria.
O
trio de George Colligan que substitui Robert
Glasper inicialmente agendado. Mas Colligan não é propriamente uma solução
de recurso: ele possui uma vastíssima discografia com uma vintena de gravações
em nome próprio e mais de cem colaborações integrando por exemplo a Mingus
Big Band ou ao lado de Don Byron ou Mark Turner.
A Mingus Big Band chega enfim no
sábado em todo o seu esplendor: catorze músicos, entre os quais Wayne
Escoffery, Scott Robinson, Ku-umba Frank Lacy, Conrad Herwig, Boris Kozlov
ou Donald Edwards.
O Seixal Jazz prolonga-se todas
as noites (desta e das próximas duas semanas) pelo Seixal
Jazz Clube instalado nos antigos refeitórios da Mundet com
alguns dos mais importantes nomes da cena nacional,
mas não só: Zé Eduardo Unit, Paula
Sousa, Luis Lopes e
Júlio Resende alternam
com o imperdível Blake
Tartare de Michael Blake, os
Motif e o Sten
Sandell Trio. Enfim, Carlos Barretto que
inaugurou o festival e a exposição de pintura na Galeria
de Exposições Augusto Cabrita, toca também aí a 31 em duo com
António Eustáquio e encerra a 7 de Novembro com o seu trio, com
Mário Delgado e José Salgueiro.
Se os concertos de Joe Lovano, Kenny
Werner, George Colligan, Mingus
Big Band e Blake Tartare são imperdíveis, Seixal e o Seixal Jazz tem muitos
motivos adicionais que justificam a deslocação. Mais música,
pois claro, no Seixal Jazz Clube, mas também cultura, gastronomia e
uns fins de dia magníficos à beira Tejo.
São dezoito concertos, workshops, exposições de pintura, fotografia, cartazes,
feira do disco e outros acontecimentos a levar o Jazz ao concelho do Seixal
por mais de três semanas, reafirmando o Seixal Jazz entre os grandes. Assim
o público acompanhe.
18 de Outubro de 2009
2008
Correu bem – do ponto de vista da música – este regresso
do Seixal Jazz, embora o público não tenha afluído como
ele merecia. As razões prender-se-ão talvez com a quebra da tradição,
ou talvez antes a crise. Os próximos anos dirão, talvez.
Como anunciei, o festival começou no Seixal Jazz Clube, com Marta
Hugon,
a Escola Moderna de Jazz do Seixal, os Rid
Quartet, The Electrics, os BRP e
The Fringe, a funcionar nos Antigos
Refeitórios da Mundet. De todos
apenas assisti fugazmente aos The Fringe de George Garzone, que me pareceu
em grande forma.
O Auditório do Fórum Cultural abriu
as portas para Dave
Holland,
como ele mesmo disse, pela terceira ou quarta vez. Em grande forma, todo o
grupo esteve no seu melhor, sem qualquer reparo, uma vez mais inscrevendo a
candidatura para os melhores concertos do ano. Na primeira sessão, a
que assisti, Chris Potter esteve verdadeiramente assombroso, em três
solos memoráveis. O outro elemento a brilhar foi, como já há algum
tempo o não via, Dave Holland lui même. O terceiro solista
em evidência foi Robin Eubanks. Mas é preciso dizer que mais que
uma soma de estrelas este quinteto é uma verdadeira constelação;
um colectivo bem oleado.
Cindy Blackman tocou no dia seguinte,
marcando o regresso ao Jazz depois de vários anos a tocar ao lado de
Lenny Kravitz. E talvez que a sua batida esteja mesmo mais dura, mas ela não
deixou de confirmar a herança
de Tony Williams. Hard-bop relativamente primário, ela imprimiu força
e velocidade muito para lá do que se pensaria possível. A secundá-la
esteve Carlton Holmes que deu um sabor bluesy à noite no piano eléctrico
(também tocou piano), George Mitchell no contrabaixo e J.D.Allen no
saxofone, cujos solos, ainda que interessantes, sistematicamente introduziam
um corte na velocidade da banda. Apesar da observação, um bom
concerto.
Chico Freeman recuperou recentemente Os The
Leaders, uma banda mítica
dos anos 80. A reunião de músicos superlativos - Freeman, Ray
Anderson, Bobby Watson ou o veterano Buster Williams - que esteve no Seixal
fez um concerto do nível elevado que se esperava, mas a que faltou alguma
chama, atestando o artificialismo do retorno.
O festival encerrou com a orquestra de catorze músicos do trompetista
britânico Guy Barker que
tocou um hard bop enérgico e bem disposto, a demonstrar que na Grã Bretanha
também há (bons) músicos de Jazz. O prato forte do concerto foi uma longa peça
em vários
andamentos inspirada nalgumas figuras burlescas das óperas de Mozart.
5 de Novembro de 2008
| Sex 17-Out | Seixal
|
Antigos Refeitórios da
Mundet
|
23.00
|
Seixal
Jazz |
Marta Hugon Quarteto
|
Marta Hugon (voz), Filipe Melo (p),
Bernardo Moreira (ctb),
André Sousa Machado (bat) |
| Sáb 18-Out | Seixal
|
Antigos Refeitórios da
Mundet
|
23.00
|
Marta Hugon Quarteto
|
Marta Hugon (voz), Filipe Melo (p),
Bernardo Moreira (ctb),
André Sousa Machado (bat) |
| Qui 23-Out | Seixal
|
Antigos Refeitórios da
Mundet
|
23.00
|
Seixal
Jazz |
Escola Moderna de Jazz do Seixal
|
|
| Sex 24-Out | Seixal
|
Antigos Refeitórios da
Mundet
|
23.00
|
Rid Quartet
|
Kris Davis (p), Jon Irabagon (s),
Reuben Rading (ctb), Jef Davis (bat)
|
|
| Sáb 25-Out | Seixal
|
Antigos Refeitórios da
Mundet
|
23.00
|
Rid Quartet
|
Kris Davis (p), Jon Irabagon (s),
Reuben Rading (ctb), Jef Davis (bat)
|
| Qua 29-Out | Seixal
|
Antigos Refeitórios da
Mundet
|
23.00
|
Seixal Jazz |
The Electrics
|
Sture Ericson (st), Axel Dörner
(t), Ingebrigt Håker Flaten (ctb), Raymond Strid (bat)
|
Seixal
|
Auditório do Fórum
Cultural do Seixal
|
21.30 e 23.30
|
Dave Holland Quintet
|
Chris Potter (st, ss), Robin Eubanks
(trb), Steve Nelson (vib), Dave Holland (ctb), Nate Smith (bat)
|
||
| Qui 30-Out | Seixal
|
Antigos Refeitórios da
Mundet
|
23.00
|
BRP
|
Pedro Velasco (g), Rob Penel (bat),
Ben Bastin (ctb)
|
|
Seixal
|
Auditório do Fórum
Cultural do Seixal
|
21.30 e 23.30
|
Cindy Blackman Quartet
|
J.D.Allen (st), Carlton Holmes (p. f-r), George Mitchell
(ctb), Cindy Blackman (bat)
|
||
Sex
31-Out
|
Seixal
|
Auditório do Fórum
Cultural do Seixal
|
21.30 e 23.30
|
The Leaders
|
Bobby Watson (sa), Chico Freeman (st, ss), Ray Anderson
(trb), Fred Harris (p), Buster Williams (ctb), Michael Baker (bat)
|
|
Seixal
|
Antigos Refeitórios da
Mundet
|
23.00
|
The Fringe
|
George Garzone (s), John Lockwod (ctb), Bob Guloti
(bat)
|
||
Data
|
Cidade
|
Local
|
Hora
|
Organização
|
Banda
|
Músicos
|
| Sáb 1-Nov | Seixal
|
Antigos Refeitórios da
Mundet
|
23.00
|
Seixal Jazz |
The Fringe
|
George Garzone (s), John Lockwod (ctb), Bob Guloti
(bat)
|
Seixal
|
Auditório do Fórum
Cultural do Seixal
|
21.30 e 23.30
|
Guy Barker Jazz Orchestra
|
Guy Barker (t, dir), Nathan Gray (t, flis), Noel Langley
(t, flis), Byron Wallen (t, flis), Rosario Giuliani (sa, ss), Graeme
Blevins (st, cl, f), Per “Texas” Johansson (st, cl-ctb,
cl, f), Phil Todd (sb, cl, f), Barnaby Dickison (trb), Alister White
(trb), Mark Frost (trbb), Ross Stanley (p, hamm B3), Phil Donkin (ctb),
Ralph Salmins (bat, per)
|
O Seixal
Jazz regressa após três anos de interregno.
A programação é de primeira água, à semelhança
do que estamos habituados no Seixal, onde haverá apenas o reparo
de três dos cabeças de cartaz serem repetentes no Seixal.
Ainda assim, será sempre um acontecimento rever o «quinteto
perfeito» de Dave Holland,
o renovado The Leaders,
com Chico Freeman, Ray Anderson ou Bobby Watson e o quarteto da vulcânica Cindy
Blackman. A acrescentar a estes nomes haverá ainda
no sábado a orquestra do trompetista britânico Guy
Barker, um músico mais falado que ouvido (os músicos
britânicos são pouco assíduos por cá), mas
que traz no currículo ter tocado com Ornette Coleman, Carla Bley,
Mike Westbrook ou … Bernardo Sassetti.
Para os distraídos, Dave Holland é um
dos grandes contrabaixistas da história do Jazz, que todos os anos teima
em ganhar as votações da crítica internacional e do público
na categoria do seu instrumento, mas persistentemente também na categoria
do seu grupo acústico. Ele é um virtuoso entre os virtuosos
e, pessoalmente considero-o virtualmente insuperável. Ele realizou alguns
dos grandes entre os maiores concertos a que assisti na minha vida, e foram muitos.
Músico profícuo, é regularmente convidado para tocar com
todo o mundo, até devido à empatia que facilmente desenvolve, dos
clássicos aos experimentalistas, e ele mantém em permanência
também vários projectos. O grupo que vai tocar ao Seixal é como
já deixei sugerido, um grupo perfeito. Relativamente atípico, é composto
por contrabaixo, bateria, vibrafone, saxofones e trombone, e conta com nomes
como Chris Potter, Robin Eubanks, Steve Nelson e Nate Smith. Um grande (de novo)
concerto em expectativa.
The Leaders é uma formação
algo fluida surgida nos anos 80 e que era constituída nessa altura por
nomes com Lester Bowie, Arthur Blythe, Cecil McBee ou Chico Freeman, o único
que se mantém desse tempo. Os The Leaders já tocaram em Portugal;
precisamente no Seixal. Recuperado recentemente, o grupo traz agora músicos
superlativos como Freeman, Ray Anderson, Bobby Watson ou o veterano Buster Williams.
Cindy Blackman é uma baterista
que se tornou mais conhecida em Portugal por participar no disco de Carlos
Martins. Por essa altura no entanto, ela tinha já um longo passado ao
lado de Don Pullen, Freddie Hubbard, Sam Rivers ou Jackie Mclean. Com leader,
ela dirige desde os anos 80 um grupo de hard bop impetuoso, que já tivemos
ocasião de ver por diversas vezes. Sem qualquer originalidade do ponto
de vista estético, qualquer concerto de Cindy Blackman é sempre
um exercício excessivo, privilégio dos virtuosos, e prazer para
nós, simples mortais.
Fiel às tradições, o Seixal decorre de quarta 29 de
Outubro a sábado, sempre em duas sessões, às 21.30 e às
23.30, mas prolonga-se pela noite afora nos Antigos Refeitórios da Mundet,
transformados em Seixal Jazz Clube. O meu destaque
absoluto vai para os The Fringe na
sexta e sábado, com o impulsivo George Garzone
no saxofone.
28 de Outubro de 2008
1996
John Abercrombie, Dave Holland, Jack DeJohnette, Steve
Coleman,
John Scofield, Michael Brecker, Laurent Filipe e Carlos
Barretto.
1997
Benny Golson, Bob
Nieske, Kenny Garret, Bernardo Sasseti, Carlos Martins, Joe Lovano,
Billy Kilson e
Larry Coryell
1998
Chick Corea, John Mclaughlin, Brad Mehldau, Tomás Pimentel, Danillo Perez,
Ravi Coltrane e
Chico Freeman
1999
Joe
Lovano, Jim Hall, Dave Holland, Cindy Blackman, John Patitucci, Myra Melford
e Carlos Bica
2000
Mark Shim, Stefon Harris, Santi Debriano, Maria João e Mário
Laginha e Paul Motian.
2001
Dave Douglas, Carla Cook, René Marie, Abraham Burton, Sam Rivers,
Tom Varner, Fredie Hubbard, Mário Delgado
Filactera e Nuno
Ferreira
2003
Jason Moran,
Sam
Rivers, Kenny Werner, Ted Nash, The Schulldogs, Andrew Hill, Pedro Madaleno,
Carlos Barretto, Mário Delgado,José Salgueiro, Zé Soares,
Massimo Cavalli, Guto Lucena, Filipe Melo, Nelson Cascais, Nuno Ferreira.
2005
Wayne Escoffery Quintet, Quinteto
Laurent
Filipe, Kurt Rosenwinkel Quintet, David Binney Sextet, Miguel Zénon
Quartet
e Mike Fahn & Mary Ann McSweeney Quintet, George Garzone
2008
Dave Holland, Cindy
Blackman Quartet, The
Leaders e Guy Barker Jazz Orchestra, Marta Hugon Quarteto, Escola Moderna de
Jazz do Seixal, Ridd
Quartet, The Electrics, BRP eThe Fringe.