Dixieland

 

Dixieland era o nome (feio?) que os negros de New Orleans davam aos imitadores da sua música brancos (em oposição ao seu "Jass"), no princípio do século XX. Era um "New Orleans" ("Jass") mais lento, mais melodioso, mas igualmente entusiasmado. Com o correr dos anos um processo lento de osmose levou a que os estilos se dissolvessem e depois dos anos 40, quando se deu o primeiro grande processo de revivalismo (contemporâneo do bebop, de sinal contrário, mas de certa forma nascido pelas mesmas razões: contra a "integração" do Jazz operada pelas grandes orquestras de swing), o nome tinha-se generalizado para todas as bandas que praticavam o Jazz tradicional. Normalmente são bandas de rua, portanto não têm piano nem contrabaixo (que é substituído por uma tuba), e têm várias percussões ao invés da bateria (que foi um instrumento "inventado" mais tarde), entre as quais a célebre washboard. As bandas originais não tinham saxofones mas tinham clarinetes, podiam ter trompetes ou cornetas e tinham trombones. Os banjos eram instrumentos comuns, principalmente nas bandas brancas. Alegria não lhes faltava.

Esteticamente é um género relativamente enfraquecido e hoje em dia é comum qualificar-se o género dixieland na prateleira das músicas folclóricas (curiosamente o género é desde sempre recorrentemente inspiração de músicos, géneros e movimentos, retornos e avanços). Mas o dixieland tem do seu lado uma alegria e comunicabilidade únicos e talvez que tenha sido aqui o único momento da História em que o Jazz foi música realmente popular. Essa popularidade tomou hoje uma dimensão verdadeiramente global, à escala do planeta. O meu amigo Raul Calado que sabe do que fala, tem em casa registos de centenas de bandas de todo o mundo, entre o Japão e a Dinamarca, a Nova Zelândia e a Índia e ... Portugal; mas ele fala em milhares de bandas!