JORGE LIMA BARRETO
1949 - 2011

Morreu Jorge Lima Barreto
Músico, musicólogo, dedicou a sua vida à música,
seja como investigador, teórico, professor, artista, escritor e ensaísta
ou como músico.
Personalidade inquieta, irreverente, inconstante até, arrogante e
polémico, era fácil encontrar-lhe contradições
ou incoerências, mas ninguém poderá dizer que ele não
procurou caminhos ou não deixou marcas.
Desde muito cedo, no radicalismo do início dos anos 70, em publicações
históricas como O Mundo da Canção ou A
Memória
do Elefante; pouco depois com o primeiro livro sobre Jazz português
sobre Jazz – A Revolução do Jazz – (já havia
outros, mas eram basicamente traduções de escritos estrangeiros)
onde alinhava com as convulsões que atravessavam o Jazz, e onde
de certa forma também anunciava o seu fim. A partir das conclusões
teóricas
que tirava, Jorge Lima Barreto iniciava uma migração do
Jazz para a vanguarda erudita, concretizada na criação
da Anar Band e depois os Telectu, ao
mesmo tempo que continuava a escrever e a polemizar.
Jazz-Off, Droga de Rock, Rock
Trip, Jazz Band, Música Minimal
Repetitiva e inúmeros outros títulos, onde por vezes
o estilo panfletário
se confundia com uma erudição excessiva, Jorge Lima Barreto
nunca passou
despercebido.
Como director de redacção da primeira revista de Jazz nacional,
a All Jazz (2002-2004), solicitei-lhe por diversas vezes
textos que nela foram publicados. Jorge Lima Barreto contribuiu com um
texto
de 2007, Breve
História
do Jazz, para JazzLogical.
Faleceu hoje, com 61 anos de idade, vítima de uma pneumonia.